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Aparelho fixo ou Invisalign: como eu decido no consultório
Por Dr. Marcos Vinícius · Especialista em Ortodontia · Invisalign Top Doctor desde 2019
Nenhum dos dois é melhor em absoluto. Eu decido por quatro critérios, nesta ordem: o movimento que os seus dentes precisam fazer, a sua rotina, a facilidade de higiene e a estética. Quando o caso comporta os dois caminhos, a sua preferência entra na conta com peso.
Boa parte das pessoas chega à avaliação já com a resposta pronta na cabeça. Ou quer alinhador de qualquer jeito, porque não suporta a ideia do metal, ou desconfia da placa transparente e acha que só o bráquete resolve mesmo. Meu trabalho na consulta é tirar essa decisão do campo da preferência e colocar no campo do critério. Vou abrir aqui os critérios que uso.
Primeiro critério: qual movimento o seu caso pede?
Antes de pensar em estética ou em rotina, eu olho o que precisa acontecer com cada dente. Existem movimentos que o alinhador executa muito bem e com grande previsibilidade, e existem movimentos que continuam sendo mais diretos com o aparelho fixo, principalmente quando é preciso controlar a raiz do dente com muita precisão ou quando há extrações amplas envolvidas.
Digo com franqueza que essa fronteira mudou bastante nos últimos anos. Muito do que eu não faria com placa uma década atrás hoje é rotina, graças aos apoios colados nos dentes e aos elásticos que conectam as arcadas. Ainda assim, a fronteira existe, e o profissional que diz que o alinhador resolve absolutamente tudo está vendendo, não avaliando.
Segundo critério: a sua rotina comporta um aparelho removível?
Aqui está a diferença mais importante entre os dois, e a que menos aparece nos anúncios. O aparelho fixo trabalha sozinho. Está colado, não sai, e faz o serviço independentemente da sua disciplina. O alinhador depende de você mantê-lo na boca a maior parte do dia.
Por isso eu pergunto coisas aparentemente banais na avaliação. Você belisca durante o dia inteiro? Trabalha em pé, sem lugar para higienizar? Costuma esquecer objetos pequenos? Não pergunto para julgar, pergunto porque a resposta muda a indicação. Para quem não vai conseguir cumprir o uso, o fixo é o caminho mais honesto, e eu prefiro dizer isso na primeira conversa a ver um tratamento parado seis meses depois.
Terceiro critério: com qual deles a higiene é mais simples?
Com o aparelho fixo, escovar bem é mais trabalhoso. Fio dental exige passador, resto de comida se acumula em volta do bráquete e quem relaxa na escovação corre risco de manchar o esmalte ou inflamar a gengiva. Isso não é motivo para condenar o fixo, que segue sendo um excelente tratamento, mas é motivo para conversar.
Com a placa removível, você tira, escova normalmente, passa fio sem obstáculo e recoloca. Para quem já teve problema de gengiva, para quem tem muitas restaurações ou simplesmente para quem quer menos risco durante o período de tratamento, esse ponto costuma pesar bastante na balança.
Quarto critério: o quanto o aparelho aparece pesa na sua decisão?
Não subestimo a estética, porque ela é a razão pela qual muita gente adia o tratamento por anos. Adulto que atende público, que aparece em vídeo, que vai casar, que dá aula: para essas pessoas, dois anos de metal não é um detalhe, é o motivo de nunca começar. Quando o caso permite os dois caminhos, a preferência do paciente entra com peso na decisão, e isso é legítimo. O melhor tratamento também é aquele que a pessoa aceita fazer.
Existe um meio termo que às vezes proponho: começar com uma fase e terminar com outra, ou usar recursos estéticos no fixo. Cada plano é desenhado a partir do escaneamento e do exame de imagem, e apresentado com as opções reais que o seu caso comporta, não com uma única saída.
Perguntas que ouço no consultório
O aparelho fixo é melhor que o alinhador?
Nenhum dos dois é melhor em absoluto. São ferramentas diferentes, e a escolha depende do movimento que o seu caso pede e da sua rotina. Existem casos em que os dois funcionam bem, e aí a preferência do paciente pesa bastante.
Posso trocar de aparelho fixo para alinhador no meio do tratamento?
Em muitos casos dá, sim. É preciso reavaliar onde os dentes estão hoje, fazer um novo escaneamento e montar um planejamento a partir desse ponto. A resposta depende da etapa em que o seu tratamento está.
O alinhador limpa melhor que o aparelho fixo?
A higiene é mais simples com o alinhador, porque você remove a placa, escova os dentes normalmente e usa fio dental sem obstáculo. No aparelho fixo é possível manter tudo saudável, mas exige mais técnica e mais tempo de escovação.
E se eu não conseguir usar o alinhador o tempo certo?
Então o aparelho fixo provavelmente é a melhor indicação para você. Ele trabalha sozinho, sem depender de disciplina diária. Prefiro dizer isso na avaliação a começar um tratamento que não vai andar.
A escolha entre os dois não precisa ser feita pela internet. Traga o seu caso, veja o planejamento e decida com informação na mão.
Veja a página completa sobre o Invisalign, com o passo a passo do tratamento.
Continue lendo: se o alinhador resolve caso grave e o que a experiência mostra sobre o Invisalign funcionar.
Quem escreve: Dr. Marcos Vinícius Coelho Vidigal Martins, CRO-MG 39.405, ortodontista e implantodontista em Ipatinga, Invisalign Top Doctor desde 2019. Atendo na Clínica AMA, no bairro Cidade Nobre, clínica de família que reúne mais de 1.300 avaliações com nota 5,0 no Google.